Cinquenta tons
Alice era uma garotinha meiga, muito saudável para os seus quase oito anos. Morava com os pais e o irmão mais velho. Tirava boas notas e era muito dedicada em tudo o que fazia. Adorava passar os finais de semana no sítio do vovô e da vovó e passear por um bom tempo na plantação de girassol deles.
Seu sonho era ser uma pintora famosa, ela amava pintar. Mas não tinha um pingo de coragem de se inscrever nas aulas de pintura da escola. Se limitava em pintar apenas em casa.
Desde os seus três anos de idade, sua mãe percebeu seu gosto para a pintura, a partir de então, passou a comprar telas e tintas para que sua pequena se desenvolvesse. E se desenvolveu. Como toda boa mãe, sempre elogiava as pinturas de Alice, mesmo que aos olhos das outras pessoas, não estivessem boas.
No seu aniversário de oito anos, sua mãe lhe suplicou mais uma vez para que entrasse nas aulas de pinturas. Alice apenas respondeu:
- Mamãe, hoje nos parabéns, ouça bem o meu pedido!
E assim aconteceu. Na hora do parabéns, onde estavam apenas Alice, seus pais e seu irmão, ela tomou coragem e fez um pedido bem alto:
- Esse ano eu quero enxergar as cores como realmente elas são!
Todos olharam para Alice, atônitos!
Sua mãe desesperada, a abraçou e chorando, peguntou:
- Filha, você não enxerga a verdadeira cor das coisas?
- Não mamãe! Eu até pesquisei, sou daltônica!
Todos ali, se entristeceram e deram um grande abraço tamanho família em Alice.
Seus pais e seu irmão, logo no dia seguinte, começaram a pesquisar como proceder para a compra de um óculos especial para ela. E assim aconteceu. Tudo o que foi preciso fazer, foi feito.
E chegou o grande dia, o dia da entrega do óculos.
Foi em um sábado pela manhã. Todos acordaram cedo, prepararam o café, compram telas e tintas de todas as cores possíveis e esperaram Alice acordar.
Quando Alice desceu as escadas, se assustou com todos olhando pra ela com enorme sorriso no rosto, como se tivessem acabado de comer hamburguer com batata frita e muito refrigerante. Ela reparou que no centro da mesa tinha uma pequena caixa de cor rosa, a cor preferida de Alice.
Imediatamente ela pegou a caixa, desembrulhou e... lá estava, o tão esperado óculos. Rapidamente Alice colocou-o em seu rosto e como num passe de mágica, começou a enxergar as coisa diferentes, com mais cores. Até a caixa que estava o óculos mudou de cor, agora tinha cor amarela. Que mágica esse óculos podia fazer.
Não deu outra, Alice pulou de alegria. Correu por toda a casa para olhar tudo outra vez, só que agora com cores diferentes. Foi para o seu quarto se arrumar, pois todos iam para o sítio da vovó e do vovô. E como Alice estava eufórica! Ela queria muito ver como seria a plantação de girassol com seu óculos.
Chegando no sítio, Alice correu imediatamente para a plantação que tanto amava. Mas ao se deparar com ela, se assustou, não gostou daquela nova cor. Onde foram parar seus lindos girassóis de cor rosa? Cadê a mágica do óculos? Dessa mágica, ela não gostou.
Estava quase chorando quando tirou o óculos, e ao olhar novamente para a plantação, teve a maior alegria daquele momento. Seus girassóis voltaram a ser de cor rosa. Era o óculos, sim, era o óculos! Ele que deixava os girassóis de cor amarela.
Ao descobrir isso, Alice passou quase que toda manhã dançando entre a plantação de girassol. De um lado para o outro, sem o óculos, onde ela podia passear entre sua cor favorita. Muitos girassóis, a mesma cor em tons diferentes. Assim, ela se divertiu como quase em todo final de semana. Dançando, com os girassóis, com seus mais de cinquenta tons... de rosa.
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